José Roberto Goldim
Márcia Mocellin Raymundo
A questão dos direitos dos animais e a sua utilização em pesquisas vem sendo discutida desde o século XVII. O filósofo Jeremy Bentham, em 1789, já questionava:
- "Nós temos o direito de fazer experimentos animais e vivisecção? Eu penso que temos este direito, total e absolutamente. Seria estranho se reconhecessemos o direito de usar os animais para serviços caseiros e alimentação, mas proibir o seu uso para o ensino de uma das ciências mais úteis para a humanidade. Experimentos devem ser feitos tanto no homem quanto nos animais. Penso que os médicos já fazem muitos experimentos perigosos no homem, antes de estudá-los cuidadosamente nos animais. Eu não admito que seja moralmente aceitável testar remédios mais ou menos perigosos ou ativos em pacientes hospitalizados, sem primeiro experimentá-los em cães. Eu provarei, a seguir, que os resultados obtidos em animais podem ser todos conclusivos para o homem, quando nós sabemos como experimentar adequadamente. "
- a definição de objetivos legítimos;
- a imposição de limites à dor e ao sofrimento;
- a fiscalização de instalações e procedimentos;
- a garantia de tratamento humanitário, e
- a responsabilização pública.
A utilização de animais em pesquisas deve guiar-se por alguns princípios orientadores, tais como:
- que os seres humanos são mais importantes que os animais, mas os animais também tem importância, diferenciada de acordo com a espécie considerada;
- que nem tudo o que é tecnicamente possível de ser realizado deve ser permitido;
- que nem todo o conhecimento gerado em pesquisas com animais é plenamente transponível ao ser humano;
- que o conflito entre o bem dos seres humanos e o bem dos animais deve ser evitado sempre que possível.
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